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Kaíque Lessa; Siméia Teixeira

CONHECENDO A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE SURDOS: UM PASSO PARA LIBRAS (LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS)
Kaíque Lessa De Souza
Siméia Teixeira Gomes de Souza Silva
UNEB

O presente trabalho tem por objetivo relatar os resultados e pontos relevantes da oficina realizado no curso de Licenciatura em História da Universidade do Estado da Bahia - UNEB, na disciplina de Estágio Supervisionado em História II Cuja temática foi: Conhecendo a História da Educação de Surdos: um passo para Libras (Língua Brasileira de Sinais). A perspectiva aqui adotada diz respeito aos resultados obtidos durante a oficina do estágio para o processo de formação docente, particularmente aos futuros professores de História que dever saber lidar com situações adversas dentro e fora da sala de aula.
É no Estágio que começamos a ganhar experiência, entender como funciona o chão da escola e saber que o desafio é muito maior do que imaginávamos. Procuramos minimizar a exclusão dos educandos em relação à História, mostrando-lhes que somos sujeitos históricos. Assim sabemos que é uma exigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (nº 9394/96) e o cumprimento de sua respectiva carga horária é requisito exigido para conclusão do curso de Licenciatura em História, sendo uma experiência social fundamental, que parece ainda insuficiente para algumas pessoas no que tange a complexidade de lecionar. Estudar, ensinar História não é algo fácil. Muitos não veem significado para suas vidas. Cabe aos futuros, estudantes e professores de História, tentarem mudar essa realidade.
A oficina propôs discutir o contexto histórico da educação mundial e nacional das pessoas surdas. Na busca de difundir conhecimento da cultura surda, suprimindo preconceitos e estereótipos arraigados no conceito popular sobre a surdez. Assim fizemos uma oficina voltado para esta temática com duração de 20 horas, contamos com a participação de 25 inscritos, com faixa etária entre 13 e 18 anos de idade.
A realização deste projeto em espaço não formal foi de fundamental importância, devido a sociedade da qual fazemos parte, possui um extenso histórico de preconceito, exclusão ao diferente, e a constante comparação entre o que julgam “normal” e o “anormal”. Nesta perspectiva, nós do VI semestre de História, refletimos sobre o mundo que vivemos e chegamos a um consenso de que é pertinente seguir nessa linha de pensamento, optando por quebrar essas barreiras de preconceito que nos rodeia.
São tantas exclusões que assistimos em nosso cotidiano, dentre todos os tipos de assuntos considerados de pouca importância, chegamos a um tema tão antigo e ao mesmo tempo atual. Quem nunca se deparou com um surdo? E naquele momento ficou pasmo sem saber o que fazer? Surdos estão presentes desde os primórdios, porém foram por muito tempo invisível perante a sociedade.
Nosso objetivo é conscientizar os participantes da oficina para uma História tão antiga, porém desconhecida, almejamos demonstra para as pessoas o processo histórico de luta, superação e desafio enfrentado por surdos, revelar como eram tratados, como eram vistos em diversas sociedades, evidenciar onde teve início a luta dos surdos e mostrar quais foram os pioneiros a comprometerem-se com esta causa.
Levar este conhecimento para a sociedade, vai contribuir para estreitar os laços entre os surdos e os ouvintes, possibilitando que a população enxergue com um novo olhar os surdos. Empenhamos a transmitir aos participantes uma noção básica sobre Libras, para que eles possam estabelecer pequenos diálogos com os surdos, permitindo troca de experiências entre eles e dissipando qualquer forma de preconceito sobre as pessoas surdas.
A possibilidade de trabalhar essa temática em um espaço não formal seria essencial já que, a escola por lei tem intérprete que os amparam, minimizando assim o bloqueio de comunicação existente. Todavia para um bom andamento deste processo de inclusão é necessário que o conhecimento sobre a surdez, inclusão, seja trabalhado também fora da escola, para que mais pessoas se conscientize da necessidade de respeito a diferença.
Assim, a experiência do surdo tem ligação direta com as relações familiares e experiências de convívio com os mais próximos podemos citar o texto de Cainelli e Tuma, vem trazer uma forma de entender como se dar a construção do conhecimento histórico pela criança. Partem do pressuposto que é na experiência com a família, na sociedade, na igreja, mídia e na escola que as suas representações de realidade se formam e que ajudaram na formação do conhecimento histórico. Na verdade, buscou se compreender como acontece dentro do processo de ensino aprendizagem, na perspectiva da educação histórica no processo de construção do conhecimento histórico em sala de aula.
Diante dos estudos de Jörn Rüsen da Consciência Histórica e de Peter Lee com a Literacia Histórica, podemos perceber a importância que a educação histórica pode exercer na vida dos alunos, pois se antes a História era apenas a mestra da vida, com Rüsen, a História torna-se uma prática de vida, ou seja, algo que seja útil para as pessoas e que possa orientá-las no presente e perspectivar o futuro através da análise do passado, é o que Rüsen chama de consciência histórica.
Para realização desse trabalho, pensamos em uma aula oficina que possibilitassem aos ouvintes um aprendizado, partindo de seu próprio contexto social, levando-os a pensar criticamente questões do mundo, a partir das questões políticas, sociais, culturais e econômicas que ele vive no seu cotidiano.
Para tal, propomos uma temática pouco discutida academicamente mais que vem ganhando destaque no meio educacional. A finalidade da oficina foi entender o contexto histórico da educação mundial e nacional das pessoas surdas. Na busca de difundir conhecimento da cultura surda suprimindo preconceitos e estereótipos arraigados no conceito popular sobre a área da surdez, com o intuito dos participantes conhecerem um pouco dessa história, fazendo um diálogo com os conteúdos explanados e os acontecimentos que envolvem essa temática.
Para a concretização desta proposta, utilizamos os textos: Aula Oficina: do projeto à avaliação de Isabel Barca e no artigo, A reconstrução de aulas de história na perspectiva da Educação Histórica: da aula oficina à unidade temática investigativa de Lindamir Zeglin Fernandes. Diante esses estudos, o nosso principal objetivo foi trabalhar com a ideia de uma unidade temática investigativa, fundamentado em Barca e Braga, partindo desse pressuposto o nosso primeiro passo foi a definição da temática de estudo na qual optamos por desenvolver uma oficina que levassem os participantes conhecerem um pouco da História da Educação de Surdos.
  Na penúltima fase desse método fizemos uma aplicação do instrumento meta cognição que é realizado através de perguntas para captar a verbalização dos alunos quanto à consciência histórica e segundo Rüsen esta consciência histórica é muito importante porque coloca em destaque as narrativas dos sujeitos sendo essa comunicação um fator de identidade histórica tanto de quem verbaliza quanto de quem houve (GEVAERD,2009.pg 65). Diante disso, fizemos uns questionamentos com os discentes sobre a importância que essa oficina teve na vida deles, o que puderam aprender que vai ajuda-los tanto no seu presente quanto no seu futuro e nesse momento tivemos uma socialização de depoimento por parte de alunos e nossa, em relação a familiares que são surdos, da dificuldade de se comunicar com essas pessoas e também dos problemas que estes sofrem na sociedade. Muitos desses depoentes mudaram a forma de ver e agir para com os surdos e perceberam que a surdez é apenas uma limitação e de modo algum torna essas pessoas incapazes, pelo contrário estas têm muita capacidade e a maior dificuldade destas não é a falta de audição e sim a sociedade preconceituosa.
 Durante toda a nossa aula-oficina buscamos desenvolver nos participantes essa consciência histórica para que de algum modo isso pudesse servir em suas vidas práticas e que estes pudessem se ver dentro da história, como fazedores de história e, portanto, perceber que suas vivências têm muita importância, afinal todos temos conhecimentos, não somos uma folha em branco. O que nos cabe é adquirir novos aprendizados e assimila-los ao que já possuímos.

Referências
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei número 9394/96,de 20 de dezembro de 1996.
CAINELLI, Marlene Rosa. TUMA, Magda Madalena P. História e Memória na construção do pensamento histórico: uma investigação em educação histórica. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n.34, p.211- 222, jun.2009 – ISSN: 1676 – 2584. Artigo recebido em: 29/03/2009, aprovado para publicação em: 31/08/09.
FERNANDES, Sueli. Educação de surdos. Curitiba: Ibpex.2007.
LEE, Peter. Em direção a um conceito de literacia histórica. Dossiê: Educação Histórica. Educar em Revista, Curitiba, nº especial, p. 131-150, 2006.
LIMA, Maria Socorro Lucena; PIMENTA, Selma Garrido. Estágio e docência. São Paulo: Cortez, 2004.
RÜSEN, Jörn. Didática da História: passado, presente e perspectivas a partir do caso alemão. Práxis Educativa, Ponta Grossa, vol. 1, nº 2, jul.- dez. 2006, pp. 07-16.

Um comentário:

  1. Boa noite!!!Você disse que essa temática é pouco discutida academicamente. A minha pergunta é porque será que ainda tem pouco espaço para esse tema tão importante

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